Malaika
Malaika
2025 ‧ Ficção/Drama
escrito e dirigido por André Morais
2º Los Angeles Brazilian Film Festival, USA.
18º Seattle Latino Film Festival, USA.
19º Cine del Mar – Punta del Este, Uruguai.
17º SAMA International Film Festival, Estocolmo, Suécia.
20º LUSCA Fantastic Film Fest, San Juan, Porto Rico.
33º Festival de Cinema de Vitória, Espírito Santo, Brasil.
21º Panorama Internacional Coisa de Cinema, Salvador, Bahia.
20º Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro, João Pessoa, Paraíba.
4º Festival de Cinema de Marília, São Paulo.
8º Fest Cine Pedra Azul, Espírito Santo, Brasil.
Prêmios
– Melhor Direção, Melhor Atriz, Melhor Fotografia e Melhor Som no 19º Cine del Mar, Punta del Este, Uruguai.
– Prêmio Especial do Júri no Los Angeles Brazilian Film Festival 2026.
– Menção Honrosa 33º Festival de Cinema de Vitória, Brasil.
– Melhor Filme (Júri Popular), Melhor Roteiro, Melhor Atriz, Melhor Fotografia e Melhor Design de Som no 20º Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro.
Sobre
MALAIKA, segundo longa-metragem do ator, diretor e roteirista paraibano André Morais, teve sua estreia mundial no 34° Festival de Cinema de Biarritz, no sul da França.
A primeira exibição no brasileira na 49º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
O filme é uma produção que envolve mais de 120 artistas do estado da Paraíba, na frente e atrás das câmeras. A narrativa constrói uma fábula sobre um dia na vida de uma adolescente albina, movendo transformações dentro de um contexto social que a oprime.
Protagonizado pela jovem Vitória Bianco, que empresta sua sensibilidade e sua vivência como albina para interpretar a personagem que dá título ao filme, Malaika é seu primeiro trabalho como atriz.
O elenco conta ainda com nomes como Norma Góes, Ingrid Trigueiro, Joyce Barbosa, Margarida Santos, João Araújo e Ubiratan de Assis.
Trailer
Malaika e sua rara sutileza poética, por Cédric Lepine
A estreia mundial do filme MALAIKA de André Morais no festival Biarritz América Latina foi a oportunidade de descobrirmos uma obra cinematográfica com um poder evocativo vertiginoso, através da abordagem artística e fotográfica de reflexão sobre a discriminação de pessoas com albinismo e a forma de conto atemporal com múltiplas interpretações que se situam nos interstícios da História.
Embora brasileiro, o filme se situa deliberadamente num espaço fora da habitual temporalidade do realismo social do país.
Assim, a narrativa é constantemente colocada em múltiplas hipóteses cuja resolução como tal nunca importa, seja o gênero do personagem principal ou a identidade das relações que ele compartilha com as pessoas que impõem um espaço concentrado de opressão, do professor à dona da casa.
Quanto à possibilidade de transformação em um mundo semi-fantástico, onde um lobo, inicialmente apresentado como um dos heróis de Chapeuzinho Vermelho, acaba se tornando mais um animal protetor e um poderoso espírito da floresta, ele fica suspenso ali, novamente, com toda a liberdade deixada ao público para criar seus vínculos causais.
A demanda de um cenário atemporal, onde a modernidade tecnológica não esteja presente e onde o professor demonstre uma pedagogia arcaica, misógina e discriminatória, parece evocar uma época passada da história brasileira cujo legado ainda hoje é sentido na realidade de uma sociedade fraturada.
A deliciosa trama convoca, a partir do olhar subjetivo de uma criança chamada Malaika, em homenagem a uma figura angelical protetora transmitida pelo próprio pai, os múltiplos fantasmas de uma história de opressão que atravessa os tempos e onde a casa dos senhores sufoca com sua energia liberticida.
Na produção de André Morais, que dá grande importância à expressão dos sentidos como apreensão hipersensível do mundo ao redor, Malaika é um conto fantástico com o poder evocativo de uma força singular, conseguindo convocar mitologias locais com uma rara sutileza poética.
Cédric Lepine
Crítico de cinema e ensaísta francês, especialista em cinema latino-americano. formado em História pela Universidade de Reims, em Arqueologia pela Paris I Panthéon Sorbonne e em Antropologia pela Paris VII Denis Diderot. Escreve para as revistas Mediapart e Les Fiches du Cinéma. Colaborador dos festivais Cinélatino de Toulouse e Viva México em Paris.