Vencedor do Concurso de Desenvolvimento de Roteiros do Ministério da Cultura, Edição 2009.

 

CONCEITO

“… se amar bastasse as coisas seriam simples. Quanto mais se ama, mais se consolida o absurdo”. Albert Camus

 

Uma mulher, uma melancia, uma estrada. Um caminho a ser percorrido. Como uma Alice que segue a jornada pelo interior de si mesma, a mulher caminha carregando uma melancia.  A trajetória dessa personagem durante um dia é o fio condutor da narrativa.

Após cometer um crime contra o filho recém-nascido, ELA abandona casa e família em busca de um destino desconhecido.  Andará durante um dia inteiro, levando consigo a fruta (como elo de um passado desfeito ou símbolo de um ventre perdido) e terá breves encontros que marcarão o seu dia e a sua vida, enfrentando um mundo às vezes hostil e às vezes delicado, na tentativa de conviver com o amor e o desamor que traz em si.

Ao romper, logo no início da história, o fio da vida, o amor dito verdadeiramente incondicional, essa personagem segue pelo avesso. Impregnada de uma violência, tanto sofrida quanto exercida, ela é um retrato cruel, mas também sensível de um ser humano. O feminino dessacralizado, com seus anjos e demônios, sua dor, seu mal e sua delicadeza.

A vida se esvai pelo seio, embora esteja sempre à procura dela. A busca por suas origens são os fragmentos de si mesma que tenta unir. Um ser de múltiplas faces, de desejos e sentimentos obscuros, a personificação do mito da Gaia, a grande mãe que dá e tira, que nutre e depois devora os filhos após a morte.

Como o ser humano é ainda perdido e inconsequente diante dos sentimentos.  A idéia central dessa história é retratar um ser em suspensão, em rito de passagem de uma vida para outra, perdido no meio de uma realidade que não escolheu e que para fugir disso se perde ainda mais em outras escolhas.  Há inúmeras saídas, o caminho tomado é pedregoso, mas ainda há os instantes em que bate uma leve brisa no rosto.

 


Discografia

  • Dilacerado (2015)

     
  • Bruta Flor (2011)

     

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André Morais